Um dos dos bruxos se foi.
Quase trinta anos atrás, um choque transformou o futebol das Copas em algo terreno, real, tocável, quase que executável por qualquer mortal.
Há quase trinta anos atrás a dura e cruel mensagem humana jogou no lixo o produto mágico dos feiticeiros da bola. Há quase trinta anos a Itália aguerrida e irritamente humana, e por assim ser limitada e esforçada, derrubou o produto do além, a perfeição, o super, o sobre, o inimaginável, o que era arte e encantamento, o que era feitiço, o que era inebriante e entorpecente.
O Brasil de 1982 caiu. Os onze em campo e seu técnico fantástico caíram. eu caí do alto dos meus oito anos. Milhões não resistiram. A TV não transmitiu mais os gols com as assinaturas dos autores das pinturas. Sobrou a realidade. Futebol de tática, força, determinação. Os bruxos também eram humanos. Também podiam perder.
Sem bruxos, as Copas foram dominadas pelos humanos. Perder também é humano e nos acostumamos com isso. Não tivemos mais hecatombes, passamos para a normalidade da vida. Ganhamos Copas sem o sobrenatural do nosso futebol, perdemos outras com as mesmas limitações que mostramos nas vitórias. Tudo normal, como a nossa corriqueira vidinha anônima.
Os bruxos, reconhecidos por todos como humanos vagaram pelo globo terrestre. Fizeram muito ainda, mas não eram mais a representação do fantástico.
Mas eram fantásticos. E Sócrates o foi. Os de 82 fizeram magia quando no Brasil o que havia era a escuridão da ditadura. E o Doutor mostrou que jogar futebol andava junto com compreender a alma e o sofrimento do povo excluído. Afinal, a bola é a grande e quase única diversão desse contingente gigante de sofredores anônimos.
Sócrates jogou, pensou e defendeu suas ideias. Viveu como entendeu que deveria viver. É difícil acreditar que um daqueles bruxos de 82, super-herói que um dia aprontou com a gloriosa amarelinha de pano desconfortável (quem não tinha uma), possa ter findado sua vida como todos nos findaremos. Mas foi isso que ocorreu: e eu vi que foi assim, a overdose de imagens da TV e da internet comprovou que os bruxos morrem, e morrem como qualquer mortal.
Não quero mais internet. Não quero mais TV. Tragam-me de volta a TV marca colorado em preto e branco, o laranjito, Dasaev no gol da União Soviética e o escrete canarinho voando rumo à Espanha. Este domingo jogou-me na cara que o futebol é só mais uma realidade, e não a magia que me fez gostar tanto de correr atrás da bola.
Sócrates, fique em paz. A tua morte é pra mim a um pouco a morte do futebol de sonhos.
O Brasil de 1982 caiu. Os onze em campo e seu técnico fantástico caíram. eu caí do alto dos meus oito anos. Milhões não resistiram. A TV não transmitiu mais os gols com as assinaturas dos autores das pinturas. Sobrou a realidade. Futebol de tática, força, determinação. Os bruxos também eram humanos. Também podiam perder.
Sem bruxos, as Copas foram dominadas pelos humanos. Perder também é humano e nos acostumamos com isso. Não tivemos mais hecatombes, passamos para a normalidade da vida. Ganhamos Copas sem o sobrenatural do nosso futebol, perdemos outras com as mesmas limitações que mostramos nas vitórias. Tudo normal, como a nossa corriqueira vidinha anônima.
Os bruxos, reconhecidos por todos como humanos vagaram pelo globo terrestre. Fizeram muito ainda, mas não eram mais a representação do fantástico.
Mas eram fantásticos. E Sócrates o foi. Os de 82 fizeram magia quando no Brasil o que havia era a escuridão da ditadura. E o Doutor mostrou que jogar futebol andava junto com compreender a alma e o sofrimento do povo excluído. Afinal, a bola é a grande e quase única diversão desse contingente gigante de sofredores anônimos.
Sócrates jogou, pensou e defendeu suas ideias. Viveu como entendeu que deveria viver. É difícil acreditar que um daqueles bruxos de 82, super-herói que um dia aprontou com a gloriosa amarelinha de pano desconfortável (quem não tinha uma), possa ter findado sua vida como todos nos findaremos. Mas foi isso que ocorreu: e eu vi que foi assim, a overdose de imagens da TV e da internet comprovou que os bruxos morrem, e morrem como qualquer mortal.
Não quero mais internet. Não quero mais TV. Tragam-me de volta a TV marca colorado em preto e branco, o laranjito, Dasaev no gol da União Soviética e o escrete canarinho voando rumo à Espanha. Este domingo jogou-me na cara que o futebol é só mais uma realidade, e não a magia que me fez gostar tanto de correr atrás da bola.
Sócrates, fique em paz. A tua morte é pra mim a um pouco a morte do futebol de sonhos.







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