sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Sem essa de dar o sangue pelo time deles



Diante desse assunto plantado na imprensa sobre se o Inter entregaria ou não a rapadura para o São Paulo no domingo, só tenho a dizer que isso é asneira. O Inter não pode contaminar-se com esse debate inútil.
Há três pontos indiscutíveis: Grêmio e São Paulo disputam o título; ao Inter só interessa a Sul-Americana; o Inter não tem nada que ver com a disputa do Brasileiro.
Em suma, Tite deve pensar no jogo contra o Boca e pronto. Deve usar o Brasileiro apenas para colocar novos valores em teste. Sem essa de expor jogadores importantes, como Guiñazu e D´Alessandro, para que se desgastem ou se lesionem em uma partida que não vale nem rapadura para o colorado. Se o Grêmio reclamar o problema é deles. Temos que pensar é na nosso projeto, e agora o objetivo do ano é ganhar a Sul-Americana.
Por isso temos que colocar todas as forças contra o Boca. Sem essa de entrar nessa polêmica do Brasileirão. O campeonato não nos interessa mais. É triste mas é verdade.
E se o Grêmio perdeu ponto para o Goiás em casa e não conseguiu ganhar do Náutico e da Portuguesa isso tem que ser lamentado na Azenha. Não dispararam porque mosquearam. Não temos nenhuma culpa disso.
Todos os pensamentos agora estão voltados para "La Boca", o bairro simples de Buenos Aires que parece a região da várzea, em Pelotas. E para esquentar as turbinas fica um vídeo que mostra o portão 7, por onde entra a massa da Popular do Beira-Rio. O vídeo foi feito no primeiro jogo contra o Boca. No túnel de acesso a galera, como de costume, aqueceu as cordas vocais.

Brasil de técnico novo na reta final

O Brasil de Pelotas está de técnico novo. É Beto Almeida, muito conhecido no futebol gaúcho. Treinou o Pelotas este ano no final de segundona e quase fez milagre. Só não colocou o áureo-cerúleo na primeira divisão do Gauchão porque chegou muito no final da competição.
Espero que ele consiga fazer o milagre no xavante. São 3 jogos em casa e 3 fora. Ele prometeu que o time vai ser diferente nos jogos longe do Bento Freitas. Itamar Schulle caiu principalmente porque o Brasil era fraco longe da Baixada. Realmente a situação está difícil.
Ainda há esperança, mas confesso que já estive muito mais otimista. Tomara que o Brasil consiga ao menos empatar com o Campinense neste domingo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

São Paulo emparelha, e o Cruzeiro demolidor

Para encostar no Grêmio e tentar tirar o título do time gaúcho só tem um jeito: emendar 9 pontos, ou seja, ganhar em seqüência uma em casa, outra fora e mais uma em casa.
O problema é que ninguém consegue fazer isso. O Palmeiras não venceu o Náutico fora quando encostou no Grêmio e teve vida curta na ponta da tabela. Agora o São Paulo tem a grande chance de engrenar, pois obteve uma vitória suada contra o Botafogo no Engenhão e se manter a pegada pode conseguir mais três vitórias seguidas, já que os jogos contra Inter, Portuguesa e Figueirense serão na capital paulista. Se obtiver mais 9 pontos na corrida será forte candidato ao título.
O São Paulo venceu o Botafogo fora de casa, o Palmeiras passou pelo Goiás no Parque Antárctica, mas o grande jogo da rodada foi no Mineirão.
Os mais de 35 mil pagantes empurraram o Cruzeiro para cima do Grêmio, que sentiu a força e o peso da camisa azul celeste. O Cruzeiro é um dos times com mais tradição de chegada no futebol brasileiro, responsável por feitos antológicos. O grande Cruzeiro, levado por sua fantástica torcida, tornou aquele que seria o grande duelo do campeonato em um massacre. O líder sumiu, esmagado pelo canto da majestosa torcida cruzeirense. A massa incentivou, lembrou a passagem do Grêmio pela segundona(já esteve lá duas vezes) e previu o título: "seremos campeões", gritou a massa.
Meu irmão encantou-se com a torcida do Cruzeiro, e declarou sua torcida pelo time para a conquista do campeonato. Cada vez que vejo o Mineirão cheio completamente azulado, aquele azul forte, cor do céu, bonito, e não aquele azul calcinha do time da Azenha, lembro-me de um episódio marcante do futebol brasileiro. Em 97, logo após o gol cruzeirense contra o Sporting Cristal, na final da Libertadores, a câmera da Globo tremia, tinha ficado difícil de assistir o jogo. Não era problema na transmissão, e muito menos inaptidão do cinegrafista: era a torcida literalmente tremendo a arquibancada, testando os limites do concreto do Mineirão, um estádio que provou ser suficientemente forte para suportar a vibração de uma torcida espetacular.
A torcida do Cruzeiro, assim como a do Inter, não tem câmeras privilegiadas para mostrar os seus movimentos nas arquibancadas. Flamengo e Corinthians têm de sobra. Os cantos cruzeirenses, a exemplo dos cantos da torcida colorada, não aparecem na tela da televisão. Não colocam microfones ao lado das organizadas, para captar melhor o som. Isso fazem com outras torcidas, preferidas da mídia. Ao tremer a arquibancada, no entanto, a massa azul celeste suplantou e humilhou toda e qualquer tentativa de promover torcidas "queridinhas". O cinegrafista não tinha como manter firme a câmera. Milhares de torcedores fizeram o chão tremer. Foi a maior demonstração de força de uma torcida que a televisão brasileira já viu, embora nossas grandes redes teimem em mostrar outras torcidas como as mais "apaixonadas".
O Cruzeiro venceu, e também quero que o título vá para Minas. A massa que hoje tornou o Grêmio um frangote merece gritar "é campeão". Um clube poderoso, estrelado no símbolo e nos títulos, um clube que junto com o glorioso colorado protagonizou o grande duelo na década de 70.
Que os Deuses que naquela tarde de 1975 inspiraram Figueroa na cabeçada memorável em direção ao gol do cruzeirense Raul estejam este ano com a raposa. Não será fácil, é tarefa difícil, mas esta noite a torcida mostrou que a sua vibração pode fazer um time jogar além do seu limite.
Para variar, Globo e Band fizeram das suas. Todo mundo sabia que Grêmio e Cruzeiro era o grande jogo. A Globo, no entanto, conseguiu passar Vitória e Flamengo para Santa Catarina. Já a Band passou Botafogo e São Paulo. Há um bairrismo sem limite na mídia "nacional".
Quem sabe não passaram o jogo do Mineirão por medo que a arquibancada caísse. Resolveram fugir da torcida ensandecida.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Sonho distante

O Brasil de Pelotas seguiu nesta tarde a rotina deste octogonal final da série C e levou 4 a 1 do Duque de Caxias. Como já tinha empatado em casa no sábado, contra o mesmo time, acabou por fazer 1 ponto em 2 jogos contra o vice-lanterna, ressuscitando a equipe carioca. Domingo o Brasil joga outra fora, contra o Campinense.
Sinceramente, está difícil acreditar na classificação do Brasil. Parece que o time sentiu o peso da responsabilidade. É o único dos 8 clubes que ainda não pontuou fora de casa. É provável que apenas repita a campanha de 2006, quando chegou em sexto.
O Brasil tem mais 3 jogos em casa. Para classificar-se precisa vencer todos e buscar outros 4 pontos fora. Com isso chegaria a 23 pontos e poderia sonhar com a quarta vaga, dependendo do aproveitamento dos demais concorrentes. Uma missão quase impossível.
E o comentário é que o técnico Itamar Schulle será demitido. Ora, se é porque ele não conseguiu dar um bom padrão de jogo à equipe a ação da diretoria é tardia. Provavelmente o objetivo é motivar os jogadores para os 6 jogos que faltam.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Projeções

O negócio é brincar com a tabela simulada do Globoesporte. Na semana passada meu cálculo dava o São Paulo campeão com 73 pontos, contra 72 do Gêmio. Hoje, depois da rodada passada, e reavaliados alguns possíveis resultados, o resultado final ficou o seguinte:
1º) Grêmio- 72 pontos(63%);
2º) São Paulo-71 pontos(62%);
3º) Flamengo- 69 pontos(61%);
4º) Palmeiras- 67 pontos(59%);
O Inter ficaria em 6º, com 60 pontos.
Na zona de rebaixamento:
17º) Vasco-38 pontos(33%);
18º) Atlético/PR-38 pontos(33%);
19º) Náutico- 37 pontos(32%);
20º) Ipatinga- 31 pontos(27%).
Quem tem projeções diferentes?

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Matemática e realidade

Futebol e matemática às vezes não combinam. Faltam 7 jogos para o final da série C. O Brasil joga só 3 em casa. É o quinto, com 10 pontos. Não conseguiu um ponto sequer fora do Bento Freitas. Ainda assim, o site Chance de gol dá 62,7% de chance para o Brasil se classificar, o terceiro melhor percentual entre os 8 participantes. Sinceramente, não entendi a conta.


domingo, 26 de outubro de 2008

Brasil perde grande oportunidade

No meio da tarde começou a chover em Pelotas. Nada que atrapalhasse a ida ao Bento Freitas para assistir ao duelo entre Brasil e Duque de Caxias. Um rádio de pilha, a camisa do xavante e um guarda-chuva e pronto.
O problema é que o time do Brasil entrou sonolento, uma tristeza. Ninguém se achava em campo. Um horror. No primeiro lance de ataque do jogo o Duque de Caxias meteu uma bola no travessão. O goleiro xavante estava um passo à frente e comeu mosca. Daqui a pouco o time carioca perde mais dois gols. Em seguida, a defesa xavante atrapalha-se mais uma vez e surge uma falta na frente da área. O jogador adversário, chuta mal, com pouca força, rasteiro, mas os jogadores da barreira resolveram pular. Não deu para o goleiro. 1 a 0. A defesa do Brasil sem Alex Martins é uma naba.
O Brasil continuou péssimo, mas tentou reagir. Ainda assim o Duque de Caxias esteve bem melhor no primeiro tempo. Moscatelli, o jogador mais habilidoso do Brasil, não jogava nada. Como de costume, o centroavante Sharlei não segurava bola no ataque e Milar pouco produzia. Adans, na lateral-direita, não jogava absolutamente nada. Dava na orelha na bola seguidamente. Horrível. Gleidson também não produzia pela esquerda. O time estava um desastre.
No segundo tempo o xavante resolveu pressionar e melhorou, ainda que na base do abafa. E aos 21 minutos Chicão meteu um testaço após a cobrança de um escanteio por Emanuel, que entrou no lugar de Gleidson. Daí em diante o Brasil foi para cima e só não virou porque faltou competência. Emanuel teve grande oportunidade e isolou. E no último lance do jogo um jogador que não consegui identificar(na loucura não vi quem era o cidadão) perdeu um gol feito dentro da pequena área. Deu na orelha da bola.
O Brasil perdeu a grande oportunidade desta série C. Todos os resultados favoreceram. Tivesse vencido estaria na vice-liderança. Agora joga duas fora. E longe de casa só perdeu.
Não entendo algumas decisões de Itamar Schulle. Ainda que Emanuel seja um pouco individualista, ele apóia muito melhor que Gleison. Se o Brasil precisava dos três pontos, por que Itamar não optou por um lateral mais ofensivo e de melhor qualidade técnica, além de ser melhor nas cobranças de bola parada(embora tenha mandado algumas longe)?
Outra coisa: Milar e Sharlei não dá. O segundo é horroroso. Não segura uma bola. E Milar merece todas as homenagens da torcida, mas não é mais o mesmo jogador que levantava a massa. Se o Brasil quiser subir Itamar vai ter que buscar coragem e colocar o ídolo no banco. Depois que Diego Biro entrou no lugar dele o jogo melhorou para o xavante. Diego Biro segura mais a defesa. Prova disso é que com ele em campo os zagueiros do Duque de Caxias pararam de sair jogando e recorreram cada vez mais ao balão. O Brasil conseguiu segurar mais a bola no ataque e passou a comandar a partida.
Tivesse Moscatelli jogado alguma coisa hoje e o Brasil poderia ter conseguido resultado melhor. O fato é que, a partir de agora, o Brasil precisa mais do que nunca de uma vitória fora de casa. Mas Itamar Schulle precisará ter coragem de colocar em campo quem está melhor. Com Milar e Sharlei o Brasil vai tomar sufoco em todos os jogos. A bola não pára nunca no ataque. Foi assim nos jogos que vi em Itajaí. Foi assim hoje.
Ainda há esperança, mas está difícil. O Brasil precisa ser diferente daqui em diante.
Foi um sábado irritante. Esse joguinho me tirou do sério. É brabo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ganhou, mas os problemas seguem

O Inter venceu o Boca, mas mostrou hoje por A+B porque não engrenou nesta temporada: é uma equipe totalmente desequilibrada do ponto de vista tático e técnico.
De um lado há D´Alessandro, Nilmar e Alex, este jogando demais. Há também o fantástico Guiñazu. Só que ao lado deles tem uma gurizada que não dá pra aturar. Ângelo é péssimo na lateral, joga menos do que eu, e Ricardo Lopes também é outro desastre. Na esquerda tem o já conhecido Gustavo Nery e o burocrático Marcão. Na defesa Bolívar volta e meia apronta das suas. E no meio edinho segue grosso como sempre. Hoje ainda tivemos Andrezinho para torrar a paciência.
Não bastasse isso, o Inter ainda não tem um centroavante de área, que ficasse ali segurando a defesa enquanto Nilmar pudesse se deslocar à vontade. Não há nem ao menos alguém que pudesse encostar mais na frente e que tivesse cacoete de atacante.
Com isso, o Inter é um time desparelho. Às vezes é melhor um time de medianos que saibam entender a tática do que ter 3 craques e uma tropa de cavalos. Para mim esse é um dos grandes motivos do ano fraco do Inter.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Ediglê neles

Voltando a falar de campeonato brasileiro, depois do final da partida entre Palmeiras e São Paulo concluí que a fatura estava liquidada em favor do Grêmio. Bastaria vencer a Portuguesa para abrir quatro pontos de vantagem, algo difícil de se tirar em poucas rodadas.
Pois não é que o Grêmio conseguiu perder para o horroroso time da Portuguesa?
Um mérito a Lusa tem: lutou como se fosse final de Libertadores. Até o Patrício se destacou.
A Lusa corria muito enquanto o Grêmio tocava a bola, jogando no melhor estilo "a hora que eu quiser resolvo o negócio". O ataque portuga corria muito, mas Edno joga menos do que eu. Parecia que um empate era o resultado esperado, ou, então, o Grêmio usaria mais uma dose da sua sorte e venceria no final.
Só que havia um ex-colorado em campo, que não resistiu a oportunidade de afundar o Grêmio. Ediglê meteu a cabeça na bola e fez o primeiro. No final, Edno, que eu tanto critiquei durante a partida, até ele acabou fazendo o seu, depois de um passe inteligente de Éverton.
Sinceramente, não sei como a Portuguesa joga na série A com um time desses. E também não sei como o Grêmio lidera com aquele time. É uma boa equipe, mas para ganhar o título brasileiro aí já é demais.
Ô campeonato fraco esse. Isso mostra toda a incompetência do Inter em 2008.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Um balanço do Mundial de Futsal

Terminado a Copa do Mundo de Futsal, é bom fazer um balanço da competição. Aí vai:
Organização. Não se ouviu falar de grandes problemas na organização, ao contrário do que ocorreu no ano passado com os Jogos Pan-Americanos. A presença constante da FIFA e o fato de ser uma competição com menos atletas e menor estrutura do que o Pan pode ter contribuído para isso. No entanto, chamou a atenção a escassa presença de público na maior parte dos jogos. A assistência só não foi menor porque um programa de distribuição de ingressos em comunidades carentes ajudou a melhorar a média nos ginásios. É provável que o acordo com a Globo para que os jogos fossem realizados pela manhã tenha contribuído muito para o esvaziamento, mas acredito que a escolha das sedes também foi importante. O sul do país, onde há mais tradição na prática do futsal, não recebeu a competição, o que considero uma falha considerável. Da mesma forma, o Ceará, pela sua história no esporte, seria um candidato forte a receber uma das sedes. A centralização dos jogos em Brasília e Rio de Janeiro pode ter contribuído com a menor média de público e pode ter dificultado o processo de sensibilização dos torcedores em relação ao torneio, já que a maior parte das regiões, principalmente aquelas em que o esporte é forte, ficaram de fora. O Brasil é grande demais para ter apenas duas sedes. Talvez Porto Alegre e Fortaleza devessem estar na lista.
Naturalização. A Itália foi o maior exemplo de que que o futsal é um esporte quase que exclusivamente praticado e desenvolvido por brasileiros. A seleção italiana era um time brasileiro disfarçado, o que é uma verdadeira aberração.Deve-se, no entanto, fazer uma diferenciação entre aqueles que possuem dupla nacionalidade e naturalização. Sabe-se que na Itália aplica-se o critério dos jus sanguinis para a aquisição da nacionalidade, ou seja, o vínculo com o país é definido pelo vínculo de parentesco com nacionais. Assim, se alguém nascido no Brasil é filho, neto ou bisneto de italianos, ao ter o reconhecimento da nacionalidade ele será tão italiano quanto brasileiro, isto é, terá duas nacionalidades originárias. No caso de alguém que possui dupla nacionalidade, não vejo nenhuma razão para criticar-se o fato do jogador optar por jogar em uma ou outra seleção. O problema está no caso de naturalização, quando a pessoa voluntariamente opta por perder a sua nacionalidade adquirida com o nascimento e adquire outra nacionalidade. Neste caso acredito que a FIFA deva impor regras urgentes para evitar os excessos. Por outro lado, não concordo com as críticas feitas por jogadores brasileiros, no sentido de que adquirir outra nacionalidade para jogar em outra seleção é falta de patriotismo. Se um jogador não tem espaço na seleção brasileira e há a oportunidade dele obter ganhos financeiros e profissionais caso se naturalize essa é uma decisão legítima que deve ser respeitada.Não se trata de um ato imoral.
O craque. Falcão pratica o futsal mais vistoso, mas para mim não foi o craque da competição. Acredito que o júri entrou na onda da torcida, que sempre gosta de lances bonitos. Na verdade, a seleção dependia muito mais de Schumaker, esse sim, no meu entendimento, o craque da competição. A seleção era outra com ele na quadra, como ficou claro no jogo contra a Rússia. E na final ele fez uma falta enorme nos momentos mais difíceis. Já na escolha do melhor goleiro a escolha foi certeira. Tiago deu show, ainda que Luiz Amado, da Espanha, tenha mostrado ser um goleiro espetacular.
Falcão. Não há dúvidas de que ele é um craque, um jogador de talento inigualável. Mas parece seu um pouco deslumbrado com a fama e exterioriza alguma arrogância. Não faz o estilo do craque que consegue falar da própria categoria sem petulância, como faz de forma magistral o grande Túlio Maravilha. Sua imagem pode ter ficado manchada com o depoimento do editor de Esportes do jornal "O Globo", que viu Falcão dar um soco no jogador espanhol Álvaro, enquanto este cumprimentava um jogador da seleção brasileira. Se isso realmente ocorreu o mínimo que Falcão deve fazer é pedir desculpas públicas. Esse é um comportamento inadmissível para um jogador de elite em qualquer modalidade esportiva. Os espanhóis foram adversários à altura e valorizaram a competição. Também levam os louros por aquilo que a competição teve de positivo.
O futuro. É provável que o futsal tenha um crescimento lento, como já vem tendo. Mais provável ainda que continue sendo um esporte destinado à formação inicial de garotos. No Brasil, é possível que continue sendo incentivado principalmente por empresa localizadas em cidades do interior e que querem colocar reforçar a marca, mas que não possuem o calibre necessário para investir de forma significativa em clubes da série A do futebol brasileiro. Dessa forma, continuará sendo um esporte importante em cidades como Jaraguá, Erechim, Carlos Barbosa e Passo Fundo, uma boa opção para assistir-se a jogos em ambientes fechados no rigoroso inverno gaúcho. No exterior, caminhará a passos lentos, mesmo com todo o apoio da marca FIFA. O Mundial do Brasil, ainda que a vitória tenha vindo depois de um jogo histórico contra a Espanha, talvez não tenha conseguido estabelecer um divisor de águas para novos tempos. Vamos aguardar pra ver.

Foto: www.fifa.com

domingo, 19 de outubro de 2008

Brasil perde de novo

O Brasil de Pelotas perdeu a chance de afirmar sua campanha na série C. Saiu vencendo o Água de Marabá, em Belém, mas no segundo tempo Rodrigo foi expulso, levou dois gols e o lateral-esquerdo Marcos Alexandre levou o vermelho. O time perdeu e acabou o jogo com dois a menos.
Era o jogo para o Brasil mostrar que tinha condições de entrar firme na briga pela vaga à série B. Com duas derrotas em casa ficou 4 pontos atrás dos 3 primeiros colocados e 3 pontos atrás do quarto colocado.
Com 4 ponto de diferença não há mais alternativa. Vencer apenas em casa não coloca mais o Brasil entre os 3 primeiros. Há adversários que estão buscando pontos fora, como Guarani e o próprio Águia.
Agora são dois jogos em casa. Precisa vencer de qualquer jeito. Mas vencer todas em casa não será suficiente. Tem que buscar pontos fora. E perdendo todas fora, como está ocorrendo, não dá. Hoje era jogo pra vencer. Saiu ganhando, o adversário tinha desfalques e quase não havia torcida do time da casa.
Uma pena. Com duas derrotas fora de casa a tarefa está ficando muito difícil. Time caseiro não sobe. O Brasil terá que ser mais ousado longe do Bento Freitas.

sábado, 18 de outubro de 2008

Brasil e Espanha na final

Não sou fã de assistir jogos de futsal pela TV, mas dei o braço a torcer para o jogo entre Brasil e Rússia, pela semifinal da Copa do Mundo. Um partidaço. Os russos não se abalaram com a desvantagem no placar e vieram pra cima. O resultado foi um jogo emocionante, com chances para os dois lados.
O lance capital ocorreu faltando 3 minutos para o final. Estava 3 a 2 e os russos puxaram um contra-ataque veloz. Eram 3 jogadores contra o goleiro. Mas a bola foi parar na trave, um lance inacreditável. Depois o Brasil fez o quarto gol e matou a partida.
O Brasil tem qualidade técnica indiscutível, mas acredito que há dois grandes diferenciais em relação aos adversários, o que garante imensa vantagem.
O primeiro é a presença de Schumacher na quadra. Ele tem uma incrível noção de posicionamento ofensivo e defensivo. É um jogador completo. Embora Falcão seja o show, parece-me que Schumacher é a coluna vertebral do time. Prova disso é que após a saída dele no jogo contra a Rússia o Brasil passou a ter dificuldades na contenção do time russo. O resultado foi que espaços surgiram e a seleção brasileira teve que se segurar para não tomar o gol de empate.
O segundo é a incrível capacidade do Brasil de adiantar a marcação, sem que isso represente a abertura de espaços no campo defensivo. Um dos maiores dilemas do futsal é o posicionamento do time na hora da marcação. Como são apenas quatro jogadores e a quadra é grande, a tendência é que todo o time volte para a sua quadra a fim de evitar o um-dois e a famosa bola nas costas. Aí, no momento em que os jogadores posicionam-se atrás há uma diminuição do espaço de jogo, o que prejudica a armação do time adversário.
O Brasil, no entanto, consegue fazer algo de extrema dificuldade: em vários momentos do jogo adianta a marcação e sufoca a saída de bola do adversário, sem que isso fragilize o setor que se encontra atrás dos jogadores que saem para o abafa.
Se o Brasil estiver com Schumacher e conseguir fazer essa marcação dificilmente perde para a Espanha. Por isso é o grande favorito. Basta manter a pegada.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Brasil perde para o Guarani

Rodada ruim para o Brasil de Pelotas. O Atlético-GO tocou 5 no Duque de Caxias e o Confiança venceu o Campinense por 4 a 0 e o Rio Branco estava vencendo o Águia do Pará. Com isso o xavante caiu para a quinta colocação.
Pelo que ouvi no rádio o Brasil estava bem até Juliano Bozzano, honrando o pai, inventou um pênalti para o Guarani, aos 21 minutos do primeiro tempo. No segundo tempo o goleiro Flávio, do Brasil, foi expulso, mas ainda assim Sharlei teve grande chance de empatar aos 46 minutos do segundo tempo. Mas ficou no 1 a 0.
O que se viu até agora na série C é que o fator local é decisivo. Por isso quem conseguir vencer fora de casa decola e facilita o acesso à série B. E o Brasil deve ir ao Pará para buscar os 3 pontos no domingo. É o jogo do ano para o xavante. Se vencer depois terá duas partidas em casa e poderá firmar-se no pelotão da frente.
O Águia não joga em sua cidade. Joga na capital. é praticamente campo neutro. Tem que ir lá pra ganhar. Esse é o jogo da arrancada.

Mais um jogo decepcionante em casa

A Colômbia viria para jogar retrancada. Não jogou assim. Tinha dois atacantes que forçavam o recuo da defesa brasileira. Além disso, os colombianos subiam muito pela direita, o que fez com que Kléber ficasse plantado na esquerda sem ter como apoiar, com medo de levar a famosa bola nas costas. Limitou-se a compor a defesa para não deixar Juan sozinho no combate.
Josué e Gilberto Silva jogando como dupla de volantes diminuem significativamente a mobilidade do meio-campo brasileiro. Ambos jogam muito recuados e têm dificuldades na saída com a bola e chegada ao ataque. Isso sobrecarrega Kaká, que fica com a obrigação de chegar no círculo central defensivo para buscar a bola e arrancar para o ataque, fazendo o movimento típico de um segundo volante. Quando chega na intermediária ofensiva já encontra gente demais à sua volta para produzir qualquer coisa.
Prova da debilidade tática do Brasil foi que o volante colombiano Vargas conseguiu fazer o que os volantes brasileiros não fizeram: no segundo tempo chegou várias vezes ao ataque, mesmo não sendo essa sua especialidade.
Com a inércia do meio-campo, incapaz de segurar a bola e fazê-la rolar no momento certo, no tempo necessário para a passagem dos laterais ou para achar os atacantes soltos após a movimentação, o time naufragou. Robinho jogou distante de Jô e ninguém se encontrou em campo.
O resultado é que o Brasil correu muito e jogou pouco. Se analisarmos os jogos do Brasil contra Chile e Venezuela, fora de casa, e Bolívia e Colômbia, no Rio de Janeiro, acredito que a conclusão evidente é que a seleção só encontra boas condições de jogo quando o adversário arrisca uma postura ofensiva mesmo não tendo qualidade para tanto. Quando encontra um adversário que se posiciona na intermediária defensiva e reduz o espaço em que o jogo é disputado o resultao é desastroso.
Para terminar, devo dizer que o problema não é só o treinador. Falta material humano, principalmente nas laterais. E falta também quem se sinta à vontade com a camisa amarela.

Foto: www.globoesporte.com

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Futsal, Falcão e a violência

Amanhã o Brasil enfrenta a Rússia pelo Mundial de futsal, e é absolutamente improvável que os visitantes consigam a passagem para a final. Na outra semifinal duelam Espanha e Itália. É provável que Brasil e Espanha façam a final. A Espanha é um adversário que não dá show, mas sabe marcar e ser objetivo nas conclusões. Por isso merece cuidado. Até agora o Brasil só jogou com adversários que chutam 100 bolas para fazer um gol, algo que facilita uma barbaridade o trabalho da seleção, que tem um bom aproveitamento ofensivo.
Caso a Itália passe, acredito que a tarefa do Brasil seja mais fácil. No entanto, a pancadaria pode rolar de novo, como aconteceu na partida anterior.
Quanto à briga por causa dos lances do Falcão tenho uma opinião muito clara. Em primeiro lugar, não tem o menor sentido brigar fora da quadra. Isso é totalmente contra o esporte. Por outro lado, acredito que tanto o driblador quanto o defensor têm os seus direitos, garantidos pela tradição do esporte. Explico.
O jogador que se mete a fazer firulas e a segurar a bola para agradar a torcida tem todo o direito de fazer isso. Não há nada que proíba essa conduta. Contudo, ele assume o risco, pois para mim o defensor tem o direito de entrar "à moda bicho" no lance e acabar com a palhaçada. Estará no seu direito. Se ele chegar no tempo certo pra dividir na bola, não interessa com qual força(esse negócio de "força desproporcional" é uma frescura de quem gosta de jogo de moça), o driblador que se dane: assumiu o risco e levou a pior. O defensor sairá com a bola e pronto, não se fala mais nisso. Se o tornozelo do firuleiro inchou é problema dele.
Agora, se o defensor chega atrasado, não consegue entrar no lance no tempo da bola e dá aquele "foice" será expulso. É a regra. Simples. Ficar de empurra-empurra depois do acontecido é uma bobagem.
Assim, para o futebol profissional vale também a regra dos "potreiros". Não quer se machucar jogando futebol? Tens duas opções: ou solta a bola ou aprende a usar o corpo para se defender. E ponto final. O que não dá é querer ter o direito de fazer o que quer com a bola sem que o adversário tenha o direito de brecar o lance, nem que seja na base da força. Afinal, a força é elemento importante no futebol.
Acho uma bobagem esses discursinhos de alguns "entendidos" de futebol que nunca souberam dominar uma bola e ficam naquele blá-blá-blá de defesa do futebol arte, etc. É claro que o lance bonito tem que ser incentivado e valorizado, mas não se pode esquecer que do outro lado tem um adversário que não pode ser obrigado a servir de cone. Ele tem todo o direito de interceptar a jogada, repito, nem que seja na base da força, pois todos sabem que defensores procuram anular a maior habilidade dos atacantes com a supremacia física.Se zagueiros tivessem a habilidade dos atacantes seria atacantes.
Então, que acabem as brigas. Falcão que continue driblando. Se levar pancada e for falta que se coloque a bola no chão para cobrá-la sem ficar batendo boca. Se o adversário chegar no tempo da bola ele que trate de se defender. Sendo assim, viva Falcão, gênio das quadras, e viva também Guiñazu, volante que chega arrasando quarteirão em qualquer bola.E que todos saibam se defender, pois futebol não é esporte para mocinhos que não gostam de marcas na canela.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Uma raridade

O amigo Gustavo Pedrollo mandou um link que mostra um caso muito raro no futebol, digno de registro. Algo praticamente inconcebível no mundo da bola atual. Vejam só:

"Joseba Etxeberria é um dos maiores símbolos do Athletic Bilbao nos últimos anos. No clube desde 1995, quando foi contratado aos 17 anos da Real Sociedad, o atacante acertou nesta semana a renovação de seu contrato até junho de 2010 – expirava em junho do próximo ano – quando pretende encerrar a carreira.

No entanto, como forma de agradecimento ao time basco, Etxberria assinou pelo valor mínimo da liga espanhola (€ 105 mil) e doará essa quantia para o clube. Ou seja, atuará de graça pelo Athletic.

'eu sonho era jogar por 15 anos pelo Athletic, o que é uma vida. No meu último ano como profissional, queria jogar sem cobrar, em agradecimento a todos esses anos, ao comportamento que o clube teve comigo e sobretudo por todo carinho que tanta gente me transmitiu. Acredito que os agradecimentos quem tem que dar sou eu', afirmou Etxeberria."

Isso está em extinção até no futebol amador, onde os jogadores não hesitam em mudar de time por R$50,00 ou R$100,00.

http://www.trivela.com/blog/por-amor-p1

domingo, 12 de outubro de 2008

Brasil vence a segunda no octogonal

A distância impede que eu assista os jogos do Brasil de Pelotas pela série C. Por isso fico acompanhando pela rádio e recebendo dicas dos meus informantes que vão ao estádio. Ontem meus informantes eram meu pai e meu irmão, que foram unânimes na avaliação do jogo: foi um dos piores que eles já viram, mesmo com a importante vitória do Brasil sobre o Atlético-GO, por 1 a 0. Meu pai classificou o jogo como "horroroso", enquanto que o Wagner ficou impressionado com a distância entre os jogadores xavantes. Segundo ele, quando alguém pega a bola simplesmente não tem para quem passar, pois os companheiros somem. Isso é indicativo de falha do posicionamento do time ou, no mínimo, um pouco de falta de atitude dos jogadores.
o Brasil é vice-líder mas isso não quer dizer nada na terceira rodada. A equipe precisa evoluir. Pelo que se ouviu na rádio o xavante armou um retrancão contra o Confiança em Sergipe. Deu no que deu. Levou o primeiro aos 35 e o segundo aos 43 da etapa final. Caso queira uma das vagas precisará ousar e buscar pontos fora.
De qualquer forma, o Atlético era um adversário muito perigoso. A vitória foi um grande resultado.
No post a foto tirada pelo Wagner da torcida xavante no jogo de ontem.

Abaixo a classificação:
PG J V E D GP GC SG
Campinense-PB 7 3 2 1 0 6 2 4
Brasil de Pelotas-RS 6 3 2 0 1 3 3
Guarani-SP 4 3 1 1 1 6 5 1
Duque de Caxias-RJ 4 3 1 1 1 7 7 0
Confiança-SE 4 3 1 1 1 5 5 0
Águia-PA 4 3 1 1 1 4 7 -3
Atlético-GO 3 3 1 0 2 5 3 2
Rio Branco-AC 1 3 0 1 2 3 7 -4



quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mão grande em Porto Alegre

Entre tantas vantagens de estar na liderança, uma delas é que tradicionalmente os árbitros, seres "ladrões" por natureza, sempre acabam beneficiando que está à frente na tabela. Isso ficou evidente mais uma vez nesta quarta-feira. O Grêmio mostrava aquele seu futebol de sempre, com muita marcação e tentativas de saídas rápidas e objetivas para o ataque, e o Santos tocava a bola e até conseguia chegar na frente, tendo boas oportunidades, assim como o time da casa. Só que na hora "H" o juizão deu a força para o Grêmio. O jogador tricolor pula na frente do santista, se não me engano Kléber Pereira, e "bloqueia" a bola. Pênalti claríssimo, que o juiz resolveu não dar, para não desagradar o anfitrião.
Assim todo santo ajuda. Quando a bola não bate na trave o juizão engole o apito. O Grêmio já é campeão e pode preparar a festa de entrega das faixas.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Brasil e Confiança amanhã

O Brasil de Pelotas, a exemplo de todos os times que jogaram em casa, venceu a sua partida pela primeira rodada do octogonal final da série C. Deu 2 a 1, de virada, contra o Rio Branco do Acre. Agora o adversário é o Confiança, em Sergipe.
Um bom público acompanhou o jogo. No entanto, vi nas imagens da TV que atrás do gol que dá para o lado da rua General Neto havia toda uma área praticamente vazia.
Certamente, não se teve lotação total por causa do aumento do preço nos ingressos. Antes a entrada cheia ficava por R$15,00. Para o octogonal final o valor foi estipulado em R$20,00, o que gerou uma reclamação generalizada. Realmente, o valor é alto para jogos da série C, ainda mais se considerarmos que em Pelotas a torcida está acostumada a pagar no máximo R$10,00. Entretanto, compreendo a posição da diretoria, que deve estar no sufoco para arranjar dinheiro para custear as despesas cada vez maiores. é um ato extremo, motivo pelo qual a torcida não deve deixar para discutir a razoabilidade da medida após o campeonato, para orientar futuras decisões. Agora não é hora de criar polêmica.
Amanhã o Brasil joga em Aracaju contra o Confiança, um time desconhecido por nós aqui do sul, salvo um ou outro jogador, como o zagueiro Márcio Alemão, que foi dispensado pelo Juventude este ano e que está distribuindo suas porradas pelas bandas de Sergipe. Mas acredito que o jogo será uma dureza. é provável que a torcida lote o estádio e empurre o Confiança.
O Confiança tem um jogador que fez história no Brasil. Trata-se de Tailson, atacante que já jogou também pelo Botafogo e Atlético-PR. Era um jogador de qualidade, daqueles que incomodava a defesa. O seu momento mais marcante com a camisa do xavante foi em 1998, pelas quartas-de-final do Gauchão, quando em pleno Olímpico ele arranca do campo de defesa, pelo lado esquerdo, e vai até à grande área gremista. Ele chuta fraco, rasteiro, e a bola toca na ponta da chuteira do zagueiro Rivarola, saindo do alcance de Danrlei. Era o segundo do gol do Brasil, para delírio da massa xavante que lotava a parte da torcida visitante, atrás do gol defendido pelo goleiro do Grêmio. Naquele jogo o time portoalegrense foi eliminado do Gauchão.
Tomara que amanhã Tailson não invente de atrapalhar o xavante.

domingo, 5 de outubro de 2008

Acabou o grenal, voltou a realidade

Em todos os jogos que vi do Coritiba no campeonato assisti a uma equipe fraca, que se esforça muito e joga pouco, mas muito pouco mesmo. O time só tem disposição. Quando joga com equipes maiores, como aconteceu contra o Flamengo, joga na base da correria e do balão pra conseguir segurar um resultado ou não perder. Há um ou outro destaque individual, como Keirisson, mas o resto é só grosso, desses que sobram no pobre futebol brasileiro da atualidade.
Pois o Internacional conseguiu levar 4 dessa equipe fraca tecnicamente e apenas esforçada. Três milhões em folha de pagamento para estar atrás de Botafogo, Goiás, Coritiba e Vitória, times sem nenhum diferencial. Para estar 7 pontos atrás do Flamengo, equipe apenas razoável, e de Cruzeiro, time que corre muito e que nas poucas vezes que vi não apresentou muita qualidade, principalmente depois da saída de Marcelo Moreno. Três milhões para estar distante de um Palmeiras sem muito brilho e de um Grêmio com folha três vezes menor e que apenas tem muito preparo físico, força e organização defensiva e saída rápida para o ataque, sem nenhum grande diferencial.
Se o problema foi o campo pesado, o problema então está no Inter. É ridículo um time gaúcho reclamar de campo pesado. Se reclamar é porque tem que mandar meio time embora. O potreiro deve ser a nossa casa. Afinal, jogamos metade no ano no frio e na chuva. Se o problema é que o time roda muito em campo e é pouco objetivo tem que procurar jogadores que se adaptem ao padrão de jogo que aprendemos nos campinhos do Rio Grande do Sul. Futebol é simples para nós. Sufoca o adversário na marcação, tira a velocidade do ataque deles, deixando os armadores adversários sem opção, sempre um na sobra da marcação, e quando rouba a bola sai em direção ao ataque como bando de guri fugindo com bergamotas roubadas, domina e toca rápido, em uma corrida desenfreada em direção ao ataque, em verdadeira avalanche. O negócio não é jogar bonito, e sim empurrar a bola pra dentro do gol. Ainda que sejamos brasileiros, nosso jogo é mais parecido com os irmãos do Prata. Dominar e tocar rápido, sem ficar deslizando como cobra no meio-campo. No Brasil o futebol tem o movimento da serpente. No pampa tem o movimento da aranha que captura suas presas, quando se está na defesa, e da manada de búfalos quando se puxa o contra-ataque, ainda que em certas circunstâncias sejam no máximo dois ou três búfalos arrancando em direção ao gol. Velocidade, força e gana de esmagar o adversário, nem que seja na base do vigor são a alma do nosso futebol arranca-toco.Como já disse aqui, para nós o futebol não tem a cara de brincadeira ou esporte, e sim de guerra.Por isso aceitamos melhor até mesmo o uso da pancada, que faz parte do entrevero e às vezes até deixa mais divertido o jogo, desde que com moderação, é claro, sem voadoras ou socos fora do lance
Estou para descobrir qual o padrão de jogo do Inter este ano. Acho que não é nenhum. De vez em quando um lampejo de talento. No mais é um jogo medíocre, triste de ver. O grenal foi apenas um dia de felicidade em um ano de marasmo.

sábado, 4 de outubro de 2008

Eu não apostaria no Palmeiras

O Grêmio teve dificuldades, mas venceu. O Palmeiras também, mas terá uma tabela mais complicada. A vitória de hoje pode ter sido decisiva para assumir a ponta isolada novamente. É improvável que o time paulistas faça seis pontos contra Figueirense e São Paulo. Já o Grêmio tem duas barbadas: Santos em casa e Portuguesa fora.
Esse campeonato brasileiro está num nível de chorar. O Grêmio, com toda a dureza, é um time praticamente imbatível em Porto Alegre.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A primeira peleia da batalha final

Numa peleia das braba
topei com a morte de cara
a matungona parada
de olho na minha alma

Eu "le" pedi sai da frente
ou te levanto na espada
eu sei que a morte eu não mato
mas deixo toda lanhada

Oigalê-tchê, eh-cuê
Se aprochegue pra escutar
Oigalê-tchê, eh-cuê
mais um causo eu vou contar

Fui como sempre educado
jamais falando de valde
mas morte tem uma cara
de quem não faz amizade

Assim pensando fui breve
que a luta ali me chamava
no meio de tanta morte
a morte eu passei na espada

De relancina, a morte
era uma china estropiada
saí surrando os galego
Ai, que prazer que me dava!

Caramurus vejo sempre
na ponta da minha espada
a morte só volto a ver
se a guerra tiver terminada


Os versos do excelente compositor pelotense Vitor Ramil descrevem o apreço do espírito gaúcho pelas guerras. Gaúcho de alma gosta de um bom combate, nem que seja no carteado. Que neste sábado o Brasil vá com tudo pra cima do Rio Branco do Acre e faça o Bento Freitas tremer. Chegou a hora do entrevero final. Agora é na base do planchaço do facão rumo à série B. É hora de jogar a morrer. Falta pouco.

Futsal, um jogo sem graça?

Sempre gostei muito de jogar futebol de salão. Acho um esporte excelente para se praticar, especialmente porque na quadra o exercício da técnica e da tática mostra muito mais vital do que no futebol de campo. Todo mundo já deve ter ouvido a afirmação de que grosso não joga na quadra. Já nos gramados o cabeça-de-bagre sempre pode achar o seu espaço, como prova em todas as partidas o volante colorado Edinho.
Assistir a jogos de futsal pela TV, no entanto, não tem a mesma graça de jogar. Embora o jogo tenha algum interesse quando se está no ginásio, em razão da proximidade e da visão global que se tem da quadra, pela telinha não se tem a plasticidade que oferece a transmissão do futebol de campo, onde a movimentação dos jogadores, as jogadas e os gols parecem ser muito mais atrativos. O jogo de futebol de salão na TV parece ser um tanto burocrático e previsível. O modo de jogar, aos olhos do telespectador, resume-se a uma linha de quatro defensores que em semicírculo fecham o acesso ao gol contra quatro adversários que tocam a bola de uma linha lateral a outra para encontrar espaço entre a defesa ou abri-la para arriscar o chute de meia distância. Como há poucos jogadores não há o mar de opções do futebol de campo: não se fala em avanço de laterais, movimentação de volantes e meias, subida de zagueiros ao ataque e atacantes jogando pelas pontas ou segurando a defesa dentro da área.
Por isso o futsal não tem nem um pouco da magia do futebol de campo. Para piorar, o desequilíbrio técnico entre os adversários sempre é mortal para o mais fraco. No futsal não há espaço para a valentia e a superção que tanto emocionaram torcedores mundo a fora, ao verem seus amados times, teoricamente mais fracos, suplantarem potências do futebol.
Vi parte do jogo do Brasil desta quinta-feira. Não consegui ver todo. Dava pena do adversário, que só está ali porque a Ásia precisava indicar representantes ao Mundial de futsal, mesmo não tendo bola pra isso. Aí a competição perde ainda mais a graça, pois é inconcebível que um torneio para escolher o campeão do mundo tenha seleções sem a menor condição técnica.
Contudo, deve-se dar um desconto. Os primórdios da Copa do Mundo também tinham representantes desqualificados e a competição viu muitas experiências. Talvez o futsal cresça pelas mãos da FIFA. Tenho minhas dúvidas, entretanto, que isso venha a acontecer.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Imprensa caolha

A queda do Grêmio deu novo ânimo à disputa pelo título. O que mais impressionou após a rodada no final de semana, no entanto, foi a forma como a mídia nacional interpretou os resultados da rodada. No Sport TV, por exemplo, teve comentarista que chegou a questionar se o Grêmio chegaria na frente do Inter no final do campeonato, como se fosse fácil tirar 8 pontos em 11 jogos, ainda mais se considerarmos que o colorado joga duas partidas fora.
Interessante que muitos comentaristas começaram a discutir quem poderia ser o campeão tratando o Grêmio como carta fora do baralho. Falavam de Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro e Flamengo, como se o time gaúcho não estivesse ainda na ponta.
A realidade mostra que houve sim uma queda de aproveitamento do Grêmio. Essa queda, entretanto, não ocorreu apenas porque o time decaiu. Houve sim falta de sorte, como se viu no jogo contra o Atlético-PR, onde o Grêmio jogou exatamente como vinha jogando no primeiro turno, sorte essa que sobrou em outras oportunidades, como contra a Portuguesa, Coritiba e Atlético-MG.
O problema é que mesmo com toda a queda, provocada também por uma seqüência grande de jogos fora de casa, o Grêmio continua líder, perdendo apenas no número de vitórias. E agora tem dois jogos em casa, sendo que depois joga contra a Portuguesa em São Paulo, ou seja, há real possibilidade de que o time venha a fazer 9 pontos. Já o Palmeiras tem Atlético em casa e Figueira fora. Depois encara o São Paulo. Isso significa que, provavelmente, o Grêmio será novamente íder isolado após essas três rodadas.
Em suma, tudo bem que o Grêmio apanhou vergonhosamente no gre-nal. Entretanto, para o campeonato o jogo vale três pontos e nada mais que isso.
Como todos sabem, torço muito contra o Grêmio. Gostaria que o rival perdesse mais uns jogos e saísse do G-4. Sóq ue não suporto análises míopes. Bastou o Palmeiras encostar para que "especialistas" decretassem a morte do até então líder e passassem a realçar as qualidades do time de Luxemburgo, qualidades essas que estão longe daquelas que se espera de um time campeão.
Com comentaristas assim, que são mais torcedores do que qualquer coisa, não há santo que agüente. Tudo bem que apontem a queda de rendimento, algo que se continuar pode comprometer a campanha mas daí a tratar o time da Azenha como se ele fosse carta fora do baralho é bobagem e irrealismo. Afinal, o Flamengo não ficou 6 jogos sem vencer e depois recuperou-se?