sexta-feira, 20 de novembro de 2009

STJD entra na briga pelo título

Mais uma vez parece que o STJD quer escolher o campeão brasileiro, assim como fez em 2005.
Não bastasse o absurdo do futebol brasileiro depender de uma justiça desportiva marcada por atrocidades decisórias e por arbitragens estranhamente favoráveis a determinados clubes.
O Flamengo tem time para ser campeão sem ajuda externa. Até acho que o time carioca está em condição mais favorável. Mas lambança da cartolagem e arbitragens esquisitas não mais pra aguentar.
Se o São Paulo tiver que ser dez vezes campeão que seja. Que vença quem tem condições. Essa de que o time está ganhando demais é argumento pra justificar falcatruas.
Enquanto isso, a apresentadora do GloboEsporte ontem dizia que era uma vergonha a mão de Henry no gol que colocou a França na Copa. Por que ela não usa a expressão "vergonha" para o que ocorre toda hora no Brasil?
Definitivamente, não dá para levar a sério o futebol brasileiro, símbolo maior da fragilidade ética do espírito nacional.

sábado, 14 de novembro de 2009

Vão passar o rodo no São Paulo?

O São Paulo ganhou três campeonatos corridos e segue firme na briga pelo tetra.
Ricardo Teixeira disse esses dias que gostaria de ver o Flamengo campeão.
Faz tempo que o futebol carioca não se destaca, mesmo com um apoio gigante da mídia.
Agora o São Paulo perde o mando de campo. Dias atrás, o Procurador do STJD disse que a perda do mando era improvável em situações como a ocorrida no jogo contra o Inter, quando um torcedor invadiu o campo, foi detido e identificado.
É bom que os dirigentes do tricolor paulista fiquem bem ligados.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Para haver punição a vítima tem que ser medalhão

Há muitas mentiras sobre o Brasil. Afinal, só um universo de mentiras pode manter uma sociedade tão desigual.
Uma mentira muito difundida é a de que o povo brasileiro é bom e solidário.
Uma ficção. Os brasileiros são humanos, com qualidades e defeitos, parecidos e diferentes entre si, como todos os povos, e criados em uma sociedade que aceita a crueldade alheia com imensa naturalidade.
É certo que relações de solidariedade são fortes no âmbito familiar e em grupos mais próximos(vizinhos, turma do futebol, etc), além das situações extremas de intenso sofrimento, como nas catástrofes. No entanto, no geral, quando se trata de avaliar o significado do que ocorre no seio da sociedade, o brasileiro raramente consegue pensar para além da sua esfera privada. Aliás, isso é comum no homem médio.
Pessoas morrem de fome, corruptos deitam e rolam no Poder Público, violência para todos os lados, contra a mulher, pobres, negros, homossexuais, trabalhadores, sistema prisional grotesco, e a maioria do povo nem está para tudo isso. Escandaliza-se com um fato aqui e ali, mas logo volta para a sua novela. Reclama do político e segue votando em quem compra voto, e por aí vai.
E nessa terra de "se a farinha é pouca, meu pirão primeiro", o povo costuma gritar mais alto sempre quando o andar superior sente-se lesado. Aí todo mundo fala e até o oprimido quer defender o opressor, ainda que muitas vezes por falta de informação. Por outras vezes, defende mesmo por ter uma visão de que a estrutura desigual deve mesmo ser mantida.
Por que falo de tudo isso? Por causa de Carlos Simon.
Já vi erros grosseiros de Simon. Erros mesmo, o roubo clássico. Erros sem explicação. O maior deles na final da Copa do Brasil de 2002, entre Corinthians e Braziliense, quando ele não deu um pênalti claro para o time de Brasília e ignorou uma falta absurda no lance de um dos gols do time paulista, tudo isso na primeira partida da final. Mas nenhum de seus "apitaços" deu tanta repercussão quanto o lance de domingo, no jogo entre Flu e Palmeiras.
Até pode ser que Simon tenha errado. Mas vendo com atenção percebe-se que Obina joga o braço para trás para impedir a antecipação do zagueiro tricolor. Logo, perfeitamente poderia ser marcada a falta, ainda mais no Brasil, onde os árbitros marcam qualquer coisa.
Mas o Palmeiras berrou e a Comissão de Arbitragem correu para socorrer o alviverde. Afastou Simon.
Estranho que os erros crassos de Héber Roberto Lopes na primeira partida da final da Copa do Brasil deste ano não tenham obtido a mesma repercussão. Um pênalti claro em Alecsandro aos 7 do primeiro tempo, quando o placar de Corinthians e Inter estava 0 a 0, e o segundo gol dos paulistas feito depois do jogador cobrar a falta com a bola rolando, bem na frente do árbitro.
Agora todo mundo fala, o Presidente do Palmeiras, imprensa, jogadores e quem mais tiver cordas vocais. Repercussão nacional.
E fica assim. O brasileiro não se irrita com o roubo, com a violência, com a falta de caráter. Ele foi criado na desigualdade e treinado para reproduzi-la. O brasileiro irrita-se quando os efeitos negativos da bizarrice nacional atingem o piso superior. Ninguém se indigna pelo ato em si, mas por quem foi afetado.
E assim continuamos. Julgamos conforme a vítima e o réu, e não pelo significado dos atos. O que nos interessa é manter a desigualdade e evitar que os afortunados sofram com as consequências nefastas, decorrentes do país cruel que nossos ancestrais criaram e que mantemos todos os dias com nosso comportamento na rua, na política, no trabalho e nas relações afetivas.
O Brasil tem uma sociedade civil que não se funda na igualdade, na liberdade e na ética.É o salve-se quem puder. E seguimos defendendo a desigualdade.
Por isso, se o Palmeiras berrar todo mundo vai acudir. Agora, se o reclamante tiver menos prestígio, será apedrejado e ridicularizado, embora vergonhosamente roubado.
Em suma, a Comissão de Arbitragem é Brasil!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A diferença que faz um talento

o futebol é um esporte coletivo, mas é incrível com um talento individual pode amenizar ou até mesmo suplantar limitações técnicas e táticas de um time.
O Fluminense sem Fred era um time nervoso e instável. Com Fred é uma equipe que deixou de ser galinha morta. Agora há um centroavante mortal dentro da área, o que faz toda a diferença, principalmente em um país onde o forte das equipes não é a marcação.
Tivesse Fred voltado umas cinco rodadas antes e o Flu estaria fora da zona da degola. Agora parece tarde. Apesar que, com Fred em campo, eu não duvido de nada.

sábado, 31 de outubro de 2009

Os 11 de 1950 não estão mais nesta Terra


Até aquele fatídico domingo de julho de 1950, os jogadores da seleção brasileira eram os símbolos de um grande Brasil que desejava tanto apresentar-se ao mundo. Vinte anos depois da Revolução de 30, o país começava a distanciar-se do passado eminentemente rural. E os rincões mais distantes do território já conseguiam ligar-se ao Rio de Janeiro pelas ondas do rádio.

E por estarem colados no rádio todos os brasileiros sofreram junto com os mais de 200 mil torcedores presentes ao Maracanã.A derrota na final do Mundial tornou os exemplos de um Brasil do futuro em monumentos eternos do fracasso. Passaram a ser lembrados pela mais amarga das derrotas da história do futebol.

O ciclo de penas encerrou-se. Nesta sexta-feira que passou faleceu o zagueiro Juvenal Amarijo. Sobrenome espanhol a indicar sua procedência: nasceu em Santa Vitória do Palmar, cidade que fica a 20km do Chuí. Ao lado do Uruguai. Naquela época, a cidade era um ponto isolado do Brasil. O asfalto ligando o distante rincão chegou apenas na década de 70, e conta meu pai que antes levava-se mais de seis horas para chegar ao Município.

A família de Juvenal deve ter sofrido muito com os vizinhos uruguaios. Ele próprio deve ter ficado com um peso enorme nas costas. Afinal, deveria ter muitos amigos no país vizinho.

Juvenal começou sua carreira no glorioso Brasil de Pelotas entre 1945 e 1946. Quatro anos depois, um xavante pisava no Maracanã, naquele 16 de julho de 1950. O que não deixa de ser uma honra.Pena que o site do clube não tenha referência alguma a esse fato.

Juvenal, descanse em paz, sem as memórias daquela final. Lembre-se apenas da alegria do sábado anterior ao desastre e dos risos soltos nos vestiários antes da partida. Deixe o resultado para história e fique apenas com a felicidade em seus registros.

Na foto, Juvenal com a camisa do Brasil de Pelotas.Fonte: www.colecionadorxavante.com






terça-feira, 27 de outubro de 2009

A vez do Inter passou

O Gre-Nal foi de extrema importância por duas coisas.

Primeiro, porque os três pontos mantiveram o Inter entre os quatro primeiros. E como está tudo embolado, qualquer fracasso agora não terá perdão. A vaga na Libertadores está sendo disputada a unhas e dentes.
Segundo, porque liquidou o Grêmio, que definitivamente está fora da briga pelo G4.
Por outro lado, não há qualquer motivo para euforia. O Inter venceu o Gre-Nal, o que é importante, mas isso para o campeonato significa apenas a soma de mais três pontos. Dentro de campo, o time mostrou os problemas de sempre. É incrível como o Inter não consegue segurar a bola no meio-campo e perde fácil o controle desse setor do gramado. Taison e Alecsando não conseguem formar uma dupla em harmonia.O resultado disso tudo é que o Inter praticamente não chutou a gol.
O Colorado dificilmente fará milagres. A chance que tivemos de deslanchar passou. O cavalo passou encilhado várias vezes e ficamos sentados na beira da estrada. Nossa sequência final para estourar era Náutico, Atlético-PR, Flu e Grêmio. Tivéssemos feito os 12 pontos e a história seria outra. A vez agora é do São Paulo, que tem dois jogos em casa. E há o Flamengo, que vem firme e forte, além do Palmeiras. Atlético-MG e Inter são azarões nessa corrida.
Por isso, nossa conta é vencer quatro jogos, os três em casa e um fora, beliscar mais um empate e garantir a Libertadores. O resto é sonho, que apenas terá alguma plausibilidade caso sejamos brindados com uma improvável vitória frente ao São Paulo.
O mais certo é que sejamos pisoteados pelo cavalo que tantas vezes convidou-nos a trilhar a cancha da glória.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Copa do Centenário

Como os jogadores colorados não ajudam, é hora da torcida mostrar o seu futebol. Vai ser realizada a Copa do Centenário, aberta a sócios e não-sócios. É uma grande ideia fazer esse tipo de torneio. Inclusive, a direção bem que poderia fazer no futuro um campeonato amplo, com disputas municipais e regionais, assim como o genoma colorado. Seria um gol de placa fazer uma competição dessas, que poderia ser de três em três anos ou de quatro em quatro anos.
Para quem quiser ter mais informações sobre o torneio é só acessar o site do Internacional.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Rubinho merece ser campeão

Hoje vou falar de Fórmula 1.

O domingo começou com euforia e terminou com decepção para os brasileiros que acompanhavam a reação do Rubinho no campeonato, e que desde sábado acreditavam em uma virada incrível, daquelas que não estamos acostumados a ver.
Aliás, nós brasileiros, sempre estamos esperando a virada. Esperamos a virada na pobreza, na corrupção, na violência, na discriminação e por aí vai.
Infelizmente, não somos o país da virada, como a história pode comprovar, já que todas as grandes mudanças na nossa sociedade são lentas e antes passam por uma resistência quase invencível do conservadorismo. E Rubinho não conseguiu livrar-se do estigma.Nõ conseguiu a virada.
Desde 1994 passei a acompanhar cada vez menos a Fórmula 1. Aquele primeiro de maio em Monza, data da morte de Senna, transmitida ao vivo para todos os telespectadores, foi um banho de água fria. Parece que o automobilismo perdeu a graça.
Para azar de Rubinho, depois da tragédia nele se jogaram as esperanças de um novo talento brasileiro. Rubinho andou, andou, e não se confirmou. Virou motivo de piada de programas humorísticos.
Mas em 2009 ele animou a torcida. E eu estava torcendo por ele. Não só por que ele seja brasileiro, pois tem muito brasileiro safado que eu torceria contra, já que local de nascimento não é atributo de caráter, mas porque ele me parece um cara gente boa, e que merecia o título por tudo o que ele passou.
Rubinho foi desconsiderado na Ferrari. Em seu país suportou todo tipo de gozação e procurou levar as brincadeiras na boa, brincadeiras essas que certamente lhe causavam no íntimo grande constrangimento.Por muito menos vários jogadores de futebol partiram para a agressão ou foram deselegantes.
Rubinho aguentou a porrada e ainda está aí. Mostrou persistência. Transparece simplicidade e respeito pelas outras pessoas, até mesmo por aquelas que procuram utilizar sua imagem para vender programas humorísticos.Por isso fiquei decepcionado. Não com ele, pois figuras humanas como ele são exemplos positivos, mas com o resultado em si.
Bom, mas quem sabe o ano que vem? Rubinho merece um título. E que seja em Interlagos, para dar à torcida o prazer de carregá-lo como campeão.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Argentina na Copa

E o Uruguai mais uma vez provou que seu futebol é uma pobreza só.

Talvez a explicação esteja no fato de que a Banda Oriental deixou de formar bons jogadores de armação. O meio-campo uruguaio simplesmente não funciona. Um time totalmente travado.
No final, a Argentina venceu e está na Copa. Por certo, é inconcebível uma Copa do Mundo sem a Argentina. Mas que troque logo de treinador.
Ao Uruguai, resta a repescagem. Tomara que consiga superar a Costa Rica. Aí estarão todos os campeões mundiais na África do Sul.

Esclarecimento sobre um post anterior
Lendo de novo o post Liquida Porto Alegre vi que dele se pode extrair uma vinculação entre organizadores de excursões e aluguel de carteiras de sócios, coisa que em nenhum momento pretendi fazer. Aliás, o propósito do post era tratar o momento do Inter com bom humor, e não tratar de assuntos sérios. Por isso, resolvi fazer um outro post, colocando melhor os termos da coisa, e que está publicado no Supremacia Colorada.

Fantasmas do Centenário


O acaso colocou os vizinhos do Prata em um conflito de vida ou morte.
Argentinos e uruguaios estão muito próximos. Quando se roda pelas estradas duplicadas que ligam Montevideo a Colonia ou Montevideo a Punta del Este dá pra ver um grande número de carros argentinos.Os países estão colados, separados por um rio. Aliás, de Colonia dá para ver os prédios mais altos de Buenos Aires e as luzes da cidade durante a noite.
Buenos Aires é agitada, cosmopolita, intensa, ainda que guarde em suas construções fortes marcas do passado.
Montevideo é menor, mais calma, mas também apaixonada pela cultura, assim como a vizinha maior. Tem suas ramblas, as avenidas que acompanham as margens do Prata, lugar excelente para tomar um bom chimarrão no final de tarde. Tem também suas belas construções, casas bonitas e ruas arborizadas no bairro Carrasco, e uma vida cultural interessante.E tem o Centenário.
Amanhã, no Centenário, um estádio feito em apenas oito meses para a Copa de 1930 e que está em um aprazível parque da cidade, Argentina e Uruguai farão o grande duelo das eliminatórias.
Como na final de 30, o estádio vai balançar. Mas a realidade hoje é outra.
Em 1930, o Uruguai era a cara do futebol. Desenvolveu um estilo próprio de jogar e arrasou nas Olimpíadas de 1924 e 1928. Foi a primeira escola a se estabelecer no mundo da bola.
Os tempos mudaram, outras escolas surgiram. Não bastasse isso, a economia foi impiedosa com a Banda Oriental. A agricultura e a pecuária sofreram muito com a crise americana de 1929, e os países exportadores de produtos primários agonizaram por longos anos. Na América Latina quem não conseguiu bancar um processo de industrialização ou não teve minério para vender para os ricos embarcou feio. O Uruguai, não obstante um país de pouca desigualdade social, viu sua economia definhar, em um processo muito semelhante ao ocorrido no sul do Rio Grande do Sul e que até hoje mantém a região no atraso.
No futebol, sem dinheiro, com milhares de habitantes saindo do país para procurar uma vida melhor, e com um número crescente de garotos que abandonam os clubes locais pela mão de empresários, a escola uruguaia virou coisa do passado. Hoje é sinônimo de pancadaria, algo que não era a única marca de seu estilo em tempos remotos.
Já a Argentina também teve sua crise na pecuária e agricultura, mas tem território, dinheiro e posição geopolítica que lhe garantiu outra sorte, ainda que o país tenha saído faz tempo do sonho europeu e procura o seu rumo, na luta para não ser mero coadjuvante nas economias regional e global.
Mas o seu futebol não é coisa do passado. É presente, embora em crise.
Nesta quarta o Centenário vai rugir. Não se sabe se as vozes dos enlouquecidos torcedores conseguirá resgatar o passado. Por outro lado, não se sabe se a Argentina conseguirá superar sua crise, aprofundada pela intervenção do homem de la mano de Dios.
O presente em crise enfrentando o passado que luta por voltar.O palco é o teatro de 79 anos atrás.Um espetáculo imperdível para quem ama o futebol.

Foto: arquivo pessoal-bandeira levada por jogadores uruguaios para a Olimpíada de 1924. Peça do museu do estádio Centenário.


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Liquida Porto Alegre

E não é só a paciência do torcedor que foi estourada com as atuações pífias do Inter. Há uma economia dependente do Beira-Rio que está sentindo o cutuco. Olhem só essa.
Meu irmão mora no interior e seguidamente vai à capital ver o colorado. Depois da partida contra o Cruzeiro decidiu que só faria isso de novo no gre-nal. Mas eis que surge uma promoção: o organizador das excursões entra em contato com ele e faz a seguinte proposta: vai ver Atlético-PR e o gre-nal e só paga uma!
Liquidação total. Vai em duas e paga uma. E o cara da excursão ainda estava insistindo uma barbaridade. Um verdadeiro Liquida Porto Alegre(até porque imagino que os gremistas estejam passando pela mesma fase).É possível que, no ritmo do time, daqui a pouco estejam pagando para o torcedor ir.
E tem mais: sabemos que há um mercado de "aluguel" de carteiras de sócio(algo que a direção tem que acabar, ou pelo menos minimizar), uma versão moderna dos cambistas. Esse comércio também deve estar comendo o pão que o diabo amassou.